Agenda cooperativista
No próximo dia 11 de
março, a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e a Frente Parlamentar
do Cooperativismo (Frencoop) – composta por 201 deputados e 12 senadores –,
lançam a Agenda Legislativa 2009. O documento traz 90 propostas que tramitam no
Congresso Nacional ou que podem se tornar projetos de lei que versam sobre
demandas do setor como um todo, demandas localizadas, mas que tem como premissa
regulamentar, fortalecer e disseminar a cultura cooperativista no País.
Esse compromisso com todo
o setor cooperativista é fundamental para driblar a escassez de crédito e a
desaceleração da demanda deflagrada pela crise financeira global. Apesar de o
setor ter fechado 2008 com 7,8 milhões de associados e faturamento de R$ 84,9
bilhões - crescimento de 15% em relação ao ano anterior –, o cooperativismo não
está imune á intempéries dos mercados.
Neste momento, o
desafio que se apresenta não reside apenas em preservar este resultado
formidável. Mais do que isso, precisamos criar as condições necessárias para que
o cooperativismo possa crescer em meio a um ambiente adverso. Digo isso, diante
da certeza de que o setor, com os seus princípios capazes de aliar de maneira
harmoniosa o viés econômico a necessária preocupação social, pode ser um
instrumento importante de enfrentamento da crise, principalmente na questão do
emprego e do crédito.
A Organização
Internacional do Trabalho (OIT) já alertou sobre os impactos no mercado de
trabalho em todo o mundo – a quantidade de desempregados no planeta atingirá a
cifra de 200 milhões pessoas e o número de indivíduos vivendo abaixo da linha
de pobreza deve chegar a 140 milhões em 2009.
E foi além, ao afirmar que muitas conquistas sociais alcançadas nos
últimos anos poderão se perder, os sindicatos estarão cada vez enfraquecidos,
isso sem falar na precarização da qualidade de vida dos milhões de informais
que não dispõem de qualquer rede de proteção social.
Faço uso dos dados da OIT
para reforçar uma teoria, mesmo que batida, de que as crises abrem
oportunidades e o cooperativismo de trabalho pode desempenhar um papel
importante de distribuição de renda e de justiça social. Para isso, é
fundamental regulamentarmos o cooperativismo de trabalho. Atualmente, o PLC
131/2008 encontra-se no Senado, tramitando na Comissão de Assuntos Sociais.
Hoje, existem 1.746
cooperativas de trabalho espalhadas por todo o País, com 287.241 cooperados, o
maior ramo em número de associados entre os 13 que compõem o setor. Proporcionalmente
as oportunidades estão às perseguições, principalmente por órgãos públicos que
patrocinaram inúmeras forças tarefas para acabar com as falsas cooperativas,
mas que a reboque também prejudicam aquelas que cumprem com todos os princípios
que regem o verdadeiro cooperativismo.
Outro ramo que mais tem
sofrido com o agravamento da crise é o agropecuário, diante da ausência de
crédito tanto no fechamento do plantio como na comercialização de produtos. O
sistema financeiro disponibilizava 28% do crédito para o setor, o restante,
72%, vinham de trades e outras fontes, que simplesmente evaporaram em meio à
turbulência financeira.
Recentemente, o governo
anunciou o aumento do valor de recursos destinados ao capital de giro das
cooperativas agrícolas, via Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES), que passou de R$ 700 milhões para R$ 1 bilhão. Além disso,
estamos trabalhando para oferecer capital de giro as cooperativas, no valor de
R$ 1,3 bilhões, para ajudar na comercialização da safra. É pouco, mas nós, da
Frencoop, temos o compromisso de buscar agilizar o processo de liberação destes
recursos para não asfixiar o nosso produtor rural.
Outra medida que faz
parte da pauta de reivindicação diz respeito compensação tributária para que os
créditos acumulados, no total de R$ 4,8 bilhões, possam ser usados como
garantia em empréstimos, devolvido em espécie ou compensado para pagamento de
outros tributos. Estivemos com autoridades governamentais, com o presidente do
Banco Central, Henrique Meirelles, para tratar do assunto.
Também acompanho a proposta
que regulamenta o regime de cooperativa de crédito, que está em fase final de
tramitação no Senado. Trata-se de uma alternativa real e economicamente viável
para fugir do chamado “spread” do sistema bancário tradicional, ao oferecer crédito
até 50% mais barato. O próprio Banco Central reiterou a disposição para que o
cooperativismo passe de 2% de participação no mercado financeiro, movimentando
R$ 1,8 Bi/ano, para no mínimo 10%.
Fazendo uma
retrospectiva das principais conquistas do cooperativismo no ano passado, sinto-me
orgulhoso de ter tido um papel importante em algumas delas. Este sentimento de
dever cumprido serve como mola propulsora para os desafios que ainda estão por
vir em 2009. Tenho apenas uma certeza: da capacidade do setor cooperativista de
enfrentar os desafios econômicos, urbanos e rurais, com as ferramentas da
produtividade, competitividade e responsabilidade social, contribuindo, assim,
para um desenvolvimento sustentável do País.
Deputado federal Arnaldo
Jardim (PPS-SP) – diretor da Frencoop Nacional.
arnaldojardim@arnaldojardim.com.br
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